terça-feira, 26 de abril de 2016

O lado B (de bom)


 

Por João Pedro Gil

 
Não acredito neste negócio de bem e de mal. Parece coisa de criança. A indústria cultural norte-americana, especialmente dos Estúdios Disney, promoveu este maniqueísmo no cinema contemporâneo. Claro, primeiro veio a igreja, com deus e o diabo; a filosofia, antes das luzes, e a guerra fria. Nós somos do bem e os outros são do mal. Pensamento positivista.   Quem atesta esta razão?

Descartes com seu dualismo formulou o discurso do método: “penso, logo existo”, verdade tão correta que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de abalá-la como primeiro princípio da filosofia.

A questão é: o corpo é separado da razão? Não somos uma só matéria? Para Descartes, “a alma, pela qual sou o que sou, é inteiramente distinta do corpo”. Um corpo separado da mente não seria um corpo doente?  Um sujeito do bem não teria seu lado mal?

O lado B que pretendo refletir é social e não individual. É  coletivo. Por exemplo, o que a sociedade vivencia hoje no Brasil,  com a política, apresenta o bem contra o mal? Ou não seria o bom e o mau? Está mais para a ética ou para a moral?  É um problema de valores? Vejam os argumentos e as atitudes. São boas ou ruins para a sociedade?

O que teremos daqui para a frente é uma definição: sei quem está defendendo uma concepção de sociedade. E quem não está. E isto é o lado bom. Temos condições de avaliar quem prefere ditadura e quem é a favorável à democracia. Nem vamos falar de quem é a favor de ricos e de pobres, de negros ou brancos ou índios ou gltbs, porque aí é outro artigo. Nos EUA e na UE - sempre nossas medidas – é assim que funciona. Quem lê determinado jornal sabe de que lado está. Sem dualismos:  esquerda x direita. Quem lê New York Times ou Le Monde, sabe o que vai encontrar. Quem vota, quem lê, quem escuta, quem procura as informações que correspondam as suas concepções de homem, de mundo e de sociedade vai atrás do que ou de quem  o representa. E isto também vale para a política.  Não é bom saber que a Globo define isto e aquilo? Que o jornal Zero Hora tem determinada linha editorial? Que Bolsonaro é nazista?

E os profissionais podem trabalhar nas empresas sem ter o vínculo com a mesma linha? Claro! Não se trata de adesão, mas sim, de defender o pão. Os exemplos dos artistas Zé de Abreu e Jorge Furtado estão aí para demonstrar a tese que os colaboradores não precisam estar afinados com o discurso da rede. Para a empresa que os contrata, evidentemente e “de olho na audiência”, não deixa de ser vantajoso ter em seu quadro artistas que tenham posições divergentes.

Com a arte não acontece assim. Não há progresso em arte. Que dirá dicotomias. Corpo e mente separados é para os   cartesianos. Os princípios da arte como criatividade e liberdade não têm lados. Marx preconizava que para passar do reino da necessidade para o da liberdade é preciso reduzir o tempo da jornada de trabalho. Sabia que uma sociedade capitalista não tinha muito a ver com a arte. Pouco escreveu sobre o trabalho artístico. Entretanto, muitos artistas e intelectuais seguiram suas teorias. Outros foram mais pragmáticos: resolveram seus problemas de condições materiais de existência bem antes de seguirem  fazendo sua arte.

O lado B (de bom)  é que descobrimos quem  persegue com a sua arte e a sua política os caminhos de uma nova “human-idade”.  

domingo, 24 de abril de 2016

O artigo que enfureceu a família Marinho




Leia o artigo publicado no jornal britânico The Guardian que provocou forte reação das Organizações Globo. Em: Artigos & Entrevistas