Instigante
e provocante a entrevista dada pelo filósofo, linguista, cientista e analista
político americano Noam Chomsky, no dia 14 último, ao jornalista brasileiro
Gustavo Martins.
Nessa
entrevista, Chomsky discorre sobre o terrorismo, apontando os equívocos de se
utilizar essa terminologia no sentido literal para designar o tipo de
terrorismo hoje praticado no mundo.
“O
que antes se conhecia como terrorismo estava limitado a um canto de áreas
tribais no Paquistão e Afeganistão. Agora existe no mundo inteiro: na África
ocidental, no sul da Ásia, no Levante” (região da costa mediterrânea de Gaza à
Turquia), em todo o lado, resume o filósofo.
Segundo
ele, a palavra está definida no Direito
Internacional, mas não é esta a definição que podemos usar. “Usamos a palavra
terrorismo numa forma que significa o seu terrorismo contra nós, mas não o
nosso terrorismo contra eles“, referindo-se abertamente ao ataque com drones
americanos no Oriente Médio. De acordo com Chomsky, esta é a operação
terrorista mais extrema do mundo atualmente: “uma campanha de assassínio global
de Obama”.
Chomsky
afirma também que se qualquer outro país fizesse o que os americanos estão
fazendo, de forma pública e nada secreta, ou seja, matando pessoas suspeitas de
pretenderem prejudicar o seu país, haveria uma guerra nuclear de grandes
proporções.
Além
disso, enfatiza ele, esta é uma campanha que gera terrorismo, pois nasce do
desejo de vingança, fazendo com que cresça o número daquilo que convencionamos
chamar de terroristas.
Ao
ser indagado sobre onde estaria a raiz do terrorismo no mundo provocado pelo
dito Estado Islâmico, Chomsky menciona que, na análise de peritos americanos
sobre o Oriente Médio, o EI é resultado da invasão americana no Iraque. “Esse é
certamente o pior crime deste milênio”, aponta: “matou centenas de milhares de
pessoas com todo o tipo de torturas, provocando cerca de quatro milhões de
deslocados e dois milhões de refugiados”. Esse fato também provocou o conflito
sectário que não existia antes, acrescentou.
Outro
fato relevante e que fertiliza o terreno do terrorismo no mundo é a aliança que
os EUA mantêm com o Reino da Arábia Saudita (desde 1933), a qual criou um
“amálgama, uma verdadeira monstruosidade”, pois, de acordo com o filósofo, este
é um estado extremamente radical e
fundamentalista (a Arábia Saudita dá suporte aos EUA e à “Guerra ao Terror”, o
que tem gerado algumas tensões com os países vizinhos – especialmente com o
Irã).
Não
há dúvidas de que o Estado Islâmico (que não pode ser chamado de Estado, pois
não possui território; nem de Islâmico, pois não representa o islamismo) - o “Daesh” (acrônimo do grupo em árabe), como
deve ser chamado hoje de forma mais conveniente - é o resultado de muitos
equívocos políticos e esta, conforme Chomsky, não é uma história completa!
Concordemos
ou não com o filósofo, há muito a refletir sobre esse tema.
Inclusive
neste momento em que o assunto volta com força total nos noticiários
internacionais.
Nesta
sexta-feira (20/11), um grupo armado “jihadista” invadiu um hotel de luxo em
Bamako, capital do Mali, na África, sob os gritos de “Allahu Akbar” (Deus é
grande, em árabe), deixando 170 pessoas como reféns. Três pessoas morreram no
local.
Por Lene Franck
Por Lene Franck