sábado, 23 de abril de 2016

400 anos sem (e com) Shakespeare



Shakespeare’s Globeteatro reconstruído próximo ao local do Globe Theatre, onde Shakespeare encenava suas peças, em Londres.


Há exatamente 400 anos morria um dos mais influentes escritores do mundo.
Autor de obras clássicas como Hamlet, Romeu e Julieta, Rei Lear, Macbeth, A Megera Domada, Otelo e Ricardo III, William Shakespeare nasceu e morreu no mesmo dia: 23 de abril (1564-1616).  
Shakespeare começou sua carreira como ator no teatro de Londres, por volta de 1592, e escreveu aquela que seria sua mais conhecida peça teatral, Romeu e Julieta , em 1595.
Depois do romance entre o casal cujas famílias que se odiavam, o "bardo", como ficou conhecido o dramaturgo, também escreveu comédias, como Sonho de uma Noite de Verão, e as famosas tragédias: Otelo , Macbeth e Hamlet , de onde surge sua frase mais conhecida: "ser ou não ser, eis a questão". Suas obras foram traduzidas em mais de 100 idiomas.
O jornalista Helio Gurovitz, em artigo publicado na Revista Época desta semana, registra que Shakespeare conhecia os limites da linguagem, a qual tentava expandir para representar nossa condição humana, com todas as suas dores, alegrias e contradições.
Seus personagens se tornam humanos na medida em que refletem sobre seus sentimentos e seus atos. É com essa autoconsciência que nos identificamos e aprendemos a respeito de nós mesmos, enfatiza.
No livro Shakespeare – a invenção do humano, Harold Bloom faz uma análise de 35 peças do escritor, ressaltando que, na enorme variedade de personagens que criou, Shakespeare escreveu tudo aquilo que pensamos e vivemos no séculos seguintes.
A cidade natal do escritor, Stratford-upon-Avon, no Reino Unido, está realizando uma extensa programação de eventos nesta data e espera a visita do príncipe Charles e sua esposa, Camila. Na cidade, será inaugurado o New Place, sítio onde residiu o autor durante seus últimos 19 anos de vida e onde escreveu 26 de suas obras.
Shakespeare é uma influência em minha vida. Tive o prazer de participar do Grupo Teatral Caixa de Pandora e através da grande paixão que o grupo nutria pelas ideias do "bardo", nós (Antenor Fischer, Felipe Zunino, Maria Clara Ibañes, Vilma Loner, Anilton Souza, Fabio Nyland, Cláudia Pohlmann, Mozart e eu) estudamos, compreendemos e interpretamos a obra desse grande escritor. O Grupo encenou, entre outros espetáculos, a peça "Bem está o que bem acaba", sob a direção de João Pedro Gil, que também atuou, no ano de 1992 (foto abaixo). Essa peça participou de vários festivais no País. Em Brasília, ganhou os prêmios de melhor cenografia (Helena Maria Franck e Gil) e melhor atriz coadjuvante (Vilma Loner).

Foi como "Um sonho numa noite de verão": uma experiência imortal!



No #Shakespearelives, podemos acessar trechos de suas peças, os eventos programados, textos e comentários diversos sobre a vida e obra desse grande escritor. 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Excluir amigos é sensato?


Por mais que alguns “amigos” me surpreendam com seus argumentos e pontos de vista diametralmente opostos aos meus, posiciono-me contrária à exclusão de amigos nas redes de relacionamento. O fato de pensarem diferente de mim não me dá motivo suficiente para promover uma cassação pública em rede.

Penso na ágora dos gregos e no quanto a discussão de ideias foi determinante para a evolução do pensamento.

Penso também que, se um dia eu os aceitei como amigos, foi porque acreditava terem algo em comum comigo.

Percebo que tenho o dever de, pelo menos, tentar entender  o porquê de alguns deles pensarem de maneira diferente da minha; quais os referenciais de análise que eles têm para se posicionarem de um modo que não condiz com as minhas crenças e visões de mundo. O que subsidia seus argumentos? Que motivos essas pessoas têm para pensarem a realidade de um jeito que me parece diferente? Que história de vida foi construída e que sociedade foi idealizada por essas pessoas? É estranha a minha? Sem dúvida. Talvez por isso mesmo, seja o momento de ponderar e respeitar o direito que todos têm de emitir suas opiniões, mesmo que agridam a meus princípios.

Imagino como seríamos ignorantes se fôssemos impedidos de discutir. Ou como nos tornaríamos passivos e complacentes em um ambiente de total concordância. Não haveria espaço para a divergência e nem para o aprofundamento do que conhecemos de forma rasa. Estaríamos conversando em círculo. Não mudaríamos nada. A concordância de concepções sobre o homem, a sociedade e o mundo não emanciparia os sujeitos para a elaboração de modelos de sociedade mais justos. Visões reacionárias continuariam existindo e tentando se impôr sobre o bom senso. A falta de esclarecimento sobre os fatos da realidade inviabilizaria a possibilidade da crítica. Não é isso que estamos vivendo no Brasil?

Na tentativa do entendimento e da compreensão sobre os argumentos divergentes, percebo que todos nós temos interesses diferentes. Diferentes e, em grande medida, conflitantes.

Compreendo que algumas pessoas tendem a defender prioritariamente o seu modus vivendi: a família, o trabalho, a propriedade, a preservação dos bens, dos negócios e da fé que baliza suas ações e suas relações com o mundo. Outros, vão um pouco além e pensam no todo, ou seja, nas condições de vida globais, nos interesses e benefícios coletivos. Alguns optam por não se inserirem no sistema produtivo, buscando formas alternativas de sobrevivência.

A democracia, penso, abarca o conjunto dessas diferentes visões. Se eu pensar numa sociedade ideal e justa, democrática e inclusiva, acredito que devamos colocar em primeiro lugar a garantia dos direitos mínimos a todos. No mínimo. Isso, para mim, é condição básica para a existência em uma sociedade democrática plena.   

Mas, evidentemente, essa condição pesa, tenciona e dá vazão a conflitos, provocando dicotomias e contradições. Como defender os interesses dos outros acima dos meus interesses? Como colocar em segundo plano os meus objetivos?

No entanto, ao compreender que devo respeitar a opinião do outro, mesmo que não a aceite, respondendo de forma digna num esforço de superação inteligente e eficaz de um conflito de ideias, estou aceitando a alteridade necessária à existência da democracia, na qual eu quero viver.

Nesse “duelo” de interesses e nesse propósito de aclarar as razões que me levam a posicionamentos ideológicos divergentes dos de muitos dos meus amigos da rede virtual e da vida concreta, tenho buscado não o convencimento coercitivo, que impõe e exclui o pensamento contrário ao meu, mas a exposição dos meus argumentos que representam as minhas convicções, baseadas em premissas e em valores nos quais acredito. Nesse agir comunicativo difícil e conflitante, tenho veiculado mensagens coerentes com o meu modo de ver a realidade e de pensar sobre ela, acreditando poder, assim, suscitar novas reflexões e abordagens, contextualizadas e não apenas ligadas a questões pessoais ou de interesses de classe. Acredito na possibilidade de convivência dialética ao abrir espaço às diferentes visões.

Nesse confronto, o humor é fundamental e a ironia um excelente antídoto à falta de esclarecimento. O #belarecatadaedolar está aí para demonstrar isso.

Se a gente quer vislumbrar uma evolução no modo de pensar a sociedade e transformá-la efetivamente, temos que conviver com a alteridade de pensamento, de modo ativo, civilizado e inteligente. O resto é apenas silêncio e ignorância.

E, vamos combinar, ignorância e más intenções só se combatem com argumentação e "muuuuuita" generosidade!

Por Lene Franck