segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

80 anos sem "Pessoas"

 

O aniversário de 80 anos da morte de Fernando Antonio Nogueira Pessoa foi celebrado no último dia 30 de novembro, com muitas homenagens no mundo inteiro.

No Brasil, houve uma mostra inédita de objetos do escritor: cartas, ensaios, poemas, anotações e desenhos, realizada no Museu do Estado de Pernambuco – MEPE, em Recife; um recital promovido pelo Consulado Geral de Portugal em São Paulo, com a participação do ator português Luis Lima Barreto; matérias especiais produzidas por canais de televisão; conferências e leituras dramáticas em várias cidades brasileiras.

Em Portugal, sempre há honras, exposições, conferências, peças de teatro, leituras dramáticas e homenagens independentemente de datas alusivas à vida do poeta, e em todos os lugares do País.

Ao lado de Luiz Vaz de Camões e de José Saramago, Fernando Pessoa é uma das maiores figuras literárias de Portugal e é considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa no mundo.

“A complexidade e flexibilidade dos trabalhos de Pessoa é tal que deixa nas mãos do leitor o compromisso de encaixar a obra em um determinado gênero, seja filosofia, poesia ou ensaio”, diz o pesquisador colombiano Jorge Uribe (Agência Efe-Portugal).

O estilo literário multifacetado de Fernando Pessoa só alcançou fama mundial, entretanto, após várias décadas de sua morte.

O poeta foi um e vários ao mesmo tempo: "Pessoas" Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Bernardo Soares (que compartilha com Vicente Guedes, a condição de semi-heterônimo).

Através desses autores fictícios que tinham personalidade e biografia próprias, Pessoa criou uma relação singular e enigmática com o leitor, que cativa e instiga ao mesmo tempo. Os seus poetas “inventados” têm vida própria e diferentes profissões. Possuem datas de nascimento e de morte, à exceção de Ricardo Reis, que não tem a data de morte especificada, e de Bernardo Soares, que não possui uma personalidade distinta, assemelhando-se muito com a de Fernando Pessoa.

O poeta não foi devidamente reconhecido na sua época. Teve dificuldades para publicar seus versos. Mas deixou  quatro obras em vida: o livro de poesia lírica “Mensagem”, escrito em língua portuguesa, no ano de 1934 e três obras em língua inglesa.  O famoso romance “Livro do Desassossego” escrito como diário, foi descoberto anos após a sua morte, sob o heterônimo de Bernardo Soares.

Milhares de escritos encontram-se depositados em um baú, na Biblioteca Nacional de Portugal. São ensaios, notas, textos políticos, cartas, contos e poemas, que estão sendo agora estudados e divulgados por uma equipe coordenada pela professora Teresa Rita Lopes, com o apoio da Editora Assírio e Alvim.

Neste momento, estou na terra em que o escritor nasceu e viveu (dos 17 aos 47 anos), e sinto intensamente as emoções e contradições das suas múltiplas personalidades, que emergem no universo mágico e oscilante de uma existência onipresente, traduzida em versos, poemas e ensaios.

Hoje, na Livraria Bertrand, considerada a mais antiga de Portugal, tive o privilégio de folhear várias publicações de seus escritos. Autores do mundo inteiro continuam editando e homenageando o grande poeta - único e inigualável em qualquer momento e tempo.

Há por todos os recantos de Lisboa  "Pessoas"!


Por Lene Franck

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