O
aniversário de 80 anos da morte de Fernando Antonio Nogueira Pessoa foi
celebrado no último dia 30 de novembro, com muitas homenagens no mundo inteiro.
No Brasil,
houve uma mostra inédita de objetos do escritor: cartas, ensaios, poemas, anotações e desenhos,
realizada no Museu do Estado de Pernambuco – MEPE, em Recife; um recital
promovido pelo Consulado Geral de Portugal em São Paulo, com a participação do
ator português Luis Lima Barreto; matérias especiais produzidas por canais de
televisão; conferências e leituras dramáticas em várias cidades brasileiras.
Em
Portugal, sempre há honras, exposições, conferências, peças de teatro, leituras
dramáticas e homenagens independentemente de datas alusivas à vida do poeta, e em
todos os lugares do País.
Ao lado de
Luiz Vaz de Camões e de José Saramago, Fernando Pessoa é uma das maiores
figuras literárias de Portugal e é considerado um dos maiores poetas de língua
portuguesa no mundo.
“A complexidade e flexibilidade
dos trabalhos de Pessoa é tal que deixa nas mãos do leitor o compromisso de
encaixar a obra em um determinado gênero, seja filosofia, poesia ou ensaio”, diz
o pesquisador colombiano Jorge
Uribe (Agência Efe-Portugal).
O estilo literário multifacetado de
Fernando Pessoa só alcançou fama mundial, entretanto, após várias décadas de
sua morte.
O poeta foi um e vários ao mesmo
tempo: "Pessoas" Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Bernardo Soares (que
compartilha com Vicente Guedes, a condição de semi-heterônimo).
Através desses autores fictícios que
tinham personalidade e biografia próprias, Pessoa criou uma relação singular e enigmática
com o leitor, que cativa e instiga ao mesmo tempo. Os seus poetas “inventados” têm
vida própria e diferentes profissões. Possuem datas de nascimento e de morte, à
exceção de Ricardo Reis, que não tem a data de morte especificada, e de Bernardo
Soares, que não possui uma personalidade distinta, assemelhando-se muito com a
de Fernando Pessoa.
O poeta não foi devidamente
reconhecido na sua época. Teve dificuldades para publicar seus versos. Mas
deixou quatro obras
em vida: o livro de poesia lírica “Mensagem”, escrito em língua portuguesa, no
ano de 1934 e três obras em língua inglesa.
O famoso romance “Livro do Desassossego” escrito como diário, foi
descoberto anos após a sua morte, sob o heterônimo de Bernardo Soares.
Milhares
de escritos encontram-se depositados em um baú, na Biblioteca Nacional de
Portugal. São ensaios, notas, textos políticos, cartas, contos e poemas, que estão
sendo agora estudados e divulgados por uma equipe coordenada pela professora
Teresa Rita Lopes, com o apoio da Editora Assírio e Alvim.
Neste momento, estou na terra em que o escritor nasceu e viveu (dos 17 aos 47 anos), e sinto intensamente as emoções e contradições das suas múltiplas personalidades, que emergem no universo mágico e oscilante de uma existência onipresente, traduzida em versos, poemas e
ensaios.
Hoje, na Livraria Bertrand, considerada a mais antiga de Portugal, tive o privilégio de folhear várias publicações de seus escritos. Autores do mundo inteiro continuam editando e homenageando o grande poeta - único e inigualável em qualquer momento e tempo.
Há por todos os recantos de Lisboa "Pessoas"!
Por Lene Franck

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