Quero compartilhar a crítica publicada no Jornal do Comércio (edição de 04, 05 e 06 de dezembro), Caderno Viver (pág. 2) sobre a obra Antologia da Literatura Dramática do Rio Grande do Sul, de Antenor Fischer (foto).
Nesse sentido, tomo a liberdade de reproduzi-la.
Há umas (poucas) pessoas que possuem a vocação da
pesquisa. Outras, ainda, possuem a inspiração da dedicação à comunidade: não se
preocupam com lucros monetários advindos de seu trabalho. Contentam-se com o
fato de poderem realizar um trabalho de pesquisa e contribuírem, assim, com o
conhecimento humano, em especial, de sua e para a sua comunidade.
Assim é Antenor Fischer. Conheci-o há alguns anos,
quando ele estava escrevendo os verbetes do Dicionário de autores da literatura
dramática do Rio Grande do Sul. O que foi uma façanha. Com paciência de Jó, ele
vasculhou arquivos, coleções, livros, jornais ao longo de anos. Na verdade, o
dicionário, de certo modo, anunciava os demais produtos de seus esforços. Um
volume denominado A literatura dramática do Rio Grande do Sul, do século XIX -
Subsídios para uma história, que constituiu sua dissertação de mestrado.
Depois, foi a vez de A literatura dramática do Rio Grande do Sul – De 1900 a
1950, que constituiu sua tese de doutorado. Estes dois trabalhos foram realizados
sob a supervisão do Irmão Elvo Clemente (já falecido), no Programa de
Pós-Graduação em Letras da Pucrs. No mesmo programa, mas sob a orientação de
Maria Eunice Moreira, Antenor Fischer produziu uma Antologia da literatura
dramática do Rio Grande do Sul – Século XIX, num primeiro projeto de
pós-doutorado. Por fim, o dicionário, sob a orientação de Luís Augusto Fischer
(parente, mas sem nepotismo...), foi o resultado de outro estágio pós-doutoral,
desta vez, na Ufrgs. Ou seja, de 2003 a 2015, Antenor Fischer debruçou-se
decidida e pioneiramente na organização de dados dispersos a respeito da
dramaturgia sul-rio-grandense.
O primeiro produto concreto resultou no dicionário.
Mas ninguém queria publicá-lo!!!! Então, Fischer criou uma editora própria, a
Fischer Press, e imprimiu o volume, com 350 páginas. Não satisfeito, resolveu
publicar a antologia e, mais uma vez, sem apoio, imprimiu nove volumes, muito
bonitos, absolutamente pioneiros, para divulgar este material praticamente
inédito, ao menos, nesta organização que ele lhe deu. São oito volumes
temáticos: Autores primordiais e textos fundadores; A desonra como machina
fatalis; O jesuitismo na alça de mira; O divórcio em cena; O drama
abolicionista; O ideal republicano; a mulher como autora (só este volume
valeria toda uma tese...); e A comédia. Um nono volume, com capa diferenciada
(ao invés do preto dos demais, um amarelo bem alegre e leve, literalmente
primaveril) reúne os estudos temáticos que se encontram distribuídos nos demais
volumes. Ou seja, quem quiser ter apenas um dos volumes, com a parte teórica,
pode ficar apenas com este volume especial.
Como toda esta iniciativa é extremamente dispendiosa
(digitação, diagramação, edição, impressão etc.), Antenor Fischer fez cerca de
20 coleções apenas, para distribuir a bibliotecas e alguns pesquisadores. Mas
colocou todo o seu trabalho à disposição dos interessados, através da internet.
Ou seja, qualquer curioso, interessado ou pesquisador passa a ter acesso a este
acervo extraordinário, reunido ao longo de anos, numa só obra, introduzida,
grupalmente, por estes estudos que, por si só, já mereceriam o entusiasmo de
quem estuda o tema.
Neste meio tempo, ainda encontrou disposição para
escrever e publicar (também por conta própria) Em busca do sentido perdido – O
Caminho de Santiago, projeto que talvez explique sua força e sua perseverança
para os demais projetos.
Agora, estão faltando os estudos sobre a literatura
dramática sul-rio-grandense do século XIX e do século XX, em sua primeira
metade. Se o Brasil fosse um País sério e o Rio Grande do Sul valorizasse sua
cultura, a gente levantaria um monumento a Antenor Fischer para tentar
aproximar-se do monumento que ele nos lega. Talvez ele não queira. Mas talvez
ele se alegrasse se o IEL ou a Secretaria Municipal de Cultura ajudassem a
financiar esses dois volumes restantes. Com a palavra, Roque Jacoby e Victor
Hugo.
Lene querida, amei teu blog. Está lindo! Amei, também, a tua demonstração de carinho, que para mim, vale mais que qualquer "monumento". Desejo-te muita sorte na nova empreitada e que consigas muitos seguidores. Beijos!
ResponderExcluirObrigada Fischer, querido! Espero contar com os teus textos, teu humor crítico e com tua lucidez sempre criativa! Beijos!
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