Intelectuais lançaram nesta semana manifesto público em defesa das instituições democráticas. O documento foi assinado por nomes
como Chico Buarque, Emir Sader, Frei Betto, Paulo Betti, Fernando Morais, Chico
César e Jorge Mattoso.
Segue a íntegra do documento:
Manifesto em defesa das instituições democráticas
O Brasil vive um momento histórico em que a
legalidade e as instituições democráticas são testadas, o que exige opinião e
atitude firme de todos e todas que têm compromisso com a democracia.
Desde as eleições de 2014, vivemos um grande
acirramento político que permeia as mais diversas relações humanas e sociais.
Essa situação ganhou novos ingredientes a partir da eleição de Eduardo Cunha
para a presidência da Câmara dos Deputados e, de forma especial, após este ser
denunciado pelo Ministério Público Federal por seu envolvimento em atos de
corrupção, possuindo contas bancárias no exterior e ocultando patrimônio
pessoal.
Absolutamente acuado pelas denúncias, pelas
fartas provas do seu envolvimento em atos ilícitos e enfrentando manifestações
em todo Brasil contra a agenda conservadora e retrógrada do ponto de vista de
direitos que lidera, Cunha, que já não tem mais nenhuma legitimidade para
presidir a Câmara, decidiu enfrentar o Estado Democrático de Direito. A
aceitação de um pedido de impedimento da Presidenta da República no momento em
que avança o processo de cassação do deputado é uma atitude revanchista que
atenta contra a legalidade e desvia o foco das atenções e das investigações.
Neste sentido, viemos a público repudiar a
tentativa de golpe imposta por Eduardo Cunha, por não haver elementos que
fundamentem esta atitude, a não ser pelo desespero de quem não consegue
explicar o seu comprovado envolvimento com esquemas espúrios de corrupção. Não
se trata neste momento de aprovar ou reprovar a administração nem a forma como
a Presidenta da República governa, mas
defender a legalidade e a legitimidade das instituições do nosso país.
Por outro lado, defendemos o cumprimento do
Regimento da Câmara dos Deputados e da Constituição Federal, ambos instrumentos
com fartos elementos que justificam a cassação do mandato de Eduardo Cunha.
Caso contrário, toda a classe política e as instituições brasileiras estarão
desmoralizadas, por manter no exercício do poder um tirano que utiliza seu
cargo de forma irresponsável para manutenção dos seus interesses pessoais.
Apelamos às e aos parlamentares, ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal
Federal, autoridades cuidadoras da sanidade da política e da salvaguarda da
ordem democrática num Estado de Direito, sem a qual mergulharíamos num caos com
consequências políticas imprevisíveis. O Brasil clama pela atuação corajosa e
decidida de Vossas Excelências.
Não aceitamos rompimento democrático! Não
aceitamos o golpe! Não aceitamos Cunha na presidência da Câmara dos Deputados!
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