sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O que dizer do terrorismo



Instigante e provocante a entrevista dada pelo filósofo, linguista, cientista e analista político americano Noam Chomsky, no dia 14 último, ao jornalista brasileiro Gustavo Martins.
Nessa entrevista, Chomsky discorre sobre o terrorismo, apontando os equívocos de se utilizar essa terminologia no sentido literal para designar o tipo de terrorismo hoje praticado no mundo.
“O que antes se conhecia como terrorismo estava limitado a um canto de áreas tribais no Paquistão e Afeganistão. Agora existe no mundo inteiro: na África ocidental, no sul da Ásia, no Levante” (região da costa mediterrânea de Gaza à Turquia), em todo o lado, resume o filósofo.
Segundo ele,  a palavra está definida no Direito Internacional, mas não é esta a definição que podemos usar. “Usamos a palavra terrorismo numa forma que significa o seu terrorismo contra nós, mas não o nosso terrorismo contra eles“, referindo-se abertamente ao ataque com drones americanos no Oriente Médio. De acordo com Chomsky, esta é a operação terrorista mais extrema do mundo atualmente: “uma campanha de assassínio global de Obama”.
Chomsky afirma também que se qualquer outro país fizesse o que os americanos estão fazendo, de forma pública e nada secreta, ou seja, matando pessoas suspeitas de pretenderem prejudicar o seu país, haveria uma guerra nuclear de grandes proporções.
Além disso, enfatiza ele, esta é uma campanha que gera terrorismo, pois nasce do desejo de vingança, fazendo com que cresça o número daquilo que convencionamos chamar de terroristas.
Ao ser indagado sobre onde estaria a raiz do terrorismo no mundo provocado pelo dito Estado Islâmico, Chomsky menciona que, na análise de peritos americanos sobre o Oriente Médio, o EI é resultado da invasão americana no Iraque. “Esse é certamente o pior crime deste milênio”, aponta: “matou centenas de milhares de pessoas com todo o tipo de torturas, provocando cerca de quatro milhões de deslocados e dois milhões de refugiados”. Esse fato também provocou o conflito sectário que não existia antes, acrescentou.
Outro fato relevante e que fertiliza o terreno do terrorismo no mundo é a aliança que os EUA mantêm com o Reino da Arábia Saudita (desde 1933), a qual criou um “amálgama, uma verdadeira monstruosidade”, pois, de acordo com o filósofo, este é um  estado extremamente radical e fundamentalista (a Arábia Saudita dá suporte aos EUA e à “Guerra ao Terror”, o que tem gerado algumas tensões com os países vizinhos – especialmente com o Irã).
Não há dúvidas de que o Estado Islâmico (que não pode ser chamado de Estado, pois não possui território; nem de Islâmico, pois não representa o islamismo) -  o “Daesh” (acrônimo do grupo em árabe), como deve ser chamado hoje de forma mais conveniente - é o resultado de muitos equívocos políticos e esta, conforme Chomsky, não é uma história completa!
Concordemos ou não com o filósofo, há muito a refletir sobre esse tema.


Inclusive neste momento em que o assunto volta com força total nos noticiários internacionais.
Nesta sexta-feira (20/11), um grupo armado “jihadista” invadiu um hotel de luxo em Bamako, capital do Mali, na África, sob os gritos de “Allahu Akbar” (Deus é grande, em árabe), deixando 170 pessoas como reféns. Três pessoas morreram no local.


Por Lene Franck

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