quinta-feira, 15 de março de 2018

Gota d'água



Na ditadura, a polícia prendia, torturava e ocultava os corpos.
Hoje, o terror está escancarado e midiatizado.
Assim como o caso da juíza Patrícia Acioly, morta em 2011 por policiais militares, é possível que Marielle Franco tenha sido executada.
Os indícios são óbvios.
O cientista político Luiz Eduardo Soares, especialista em segurança pública, indaga em sua timeline: “quando a população vai despertar e entender que a insegurança pública começa nos segmentos corruptos e brutais das polícias, e que não podemos conviver mais com esse legado macabro da ditadura?”
Vamos continuar falando em "desvios de conduta individuais"? O que fazer, agora, além de chorar?, escreveu o sociólogo, indignado como a maioria de nós.
“Quem matou a Marielle tentou matar a possibilidade de uma mulher negra, nascida na Maré, feminista, estar na política. Isso não é aceitável em qualquer lugar do mundo”, desabafa Marcelo Freixo (PSOL), deputado carioca para quem Marielle prestou assessoria.
Estamos chocados, como “Terezas, Caetanos e Marias”.
Toda morte mata um pouco cada um de nós – diz Elza Soares.  Mas, mata um pouco mais, dolorosa e profundamente,  os que lutam por dignidade e justiça social, incansavelmente, representando as milhares de vozes caladas e sofridas neste Brasil pós-golpe: fragmentado e violentado.
A morte mata pouco quem não sofre as agruras da desigualdade, da indiferença, do abandono e do menosprezo. Vale nada para os que se beneficiam do terror, da submissão, do racismo, da ignorância e do medo.
Não vamos nos calar.
Gritemos, sim,  Elza!
Pode ser a gota d’água!

por Lene Franck



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