terça-feira, 9 de junho de 2026

 

                                              Projeto chinês -  Ponte Salvador-Itaparica 


"Colônia da China"?

por Vânia Wolff


Ouço pessoas falarem que vamos deixar de ser colônia dos Estados Unidos para ser colônia da China. Que os chineses estão invadindo o Brasil, comprando tudo, tomando conta. Toda vez que vejo esse tipo de conversa, me dá uma vontade enorme de perguntar onde está a prova? Basta procurar os fatos, que a história é completamente diferente.

Primeiro, vamos combinar uma coisa, colônia é quando um país manda no outro, impõe as regras, extrai o que quer e não deixa nada em troca. Os Estados Unidos nunca precisaram nos invadir militarmente pra nos tratar como colônia. Eles sempre fizeram de outro jeito em que as multinacionais que levam nossos recursos naturais, deixando migalhas; pressão política pra abrir mercado; e quando a gente tentou ser mais independente, sofremos boicote e golpe.

Não vamos esquecer da história na América Latina inteira. Os EUA nunca precisaram de tanques. Eles tinham o poder econômico e nunca investiram de verdade no que fica pro Brasil.

Agora, olha a atitude da China. Desde 2007, os chineses já investiram mais de R$ 13 bilhões no Nordeste brasileiro. E em quê? Não em comprar fazenda pra mandar lucro pra fora. Eles estão botando dinheiro em infraestrutura. Coisa que fica pra sempre. Tem obra grandiosa saindo do papel como a ponte Salvador-Itaparica, orçada em R$ 11 bilhões, com participação pesada de empresas chinesas. A ponte vai ficar lá, na Bahia, pro baiano usar. A China levou o quê? O lucro da construção? Talvez. Mas a ponte é nossa. O emprego durante a obra é nosso. O turismo e o escoamento de carga que vão melhorar depois? Também nossos.

A BYD instalou uma fábrica de carros elétricos em Camaçari, com investimento de R$ 5,5 bilhões. Não é carro chinês sendo montado na China e vendido aqui. É produção local, gerando emprego pra engenheiro, técnico, operário. Imposto fica aqui. Conhecimento e tecnologia também.

Tem trem no Ceará, tem porto em Pernambuco, tem parque eólico na Bahia. Isso é invasão? Parece muito mais parceria.

E tem um detalhe que muita gente esquece, a China é nossa parceira dentro do BRICS. E o BRICS não é qualquer bloco não. O BRICS é um bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países que estão se unindo pra construir um mundo mais equilibrado. Esse bloco tem tudo pra superar, em muitos aspectos, os blocos tradicionais que sempre foram comandados pelos Estados Unidos e pela Europa.

Enquanto o G7 vive de imposições e regras feitas pros ricos ficarem mais ricos, o BRICS propõe cooperação de verdade, sem chantagem, sem intervenção. A China, dentro desse bloco, não age sozinha. Ela negocia com o Brasil de igual pra igual. Tanto que o Brasil já é o maior parceiro comercial da China na América Latina, e a balança é vantajosa pra ambos.

E tem outro ponto importante que o povo ignora, que colonialismo e imperialismo são coisas que a China já sofreu na pele. Foi a Europa e o Japão que invadiram e humilharam a China no século XIX. Os próprios chineses têm na memória o trauma de serem colônia. Por que eles fariam com a gente aquilo que tanto odiaram?

Claro, a China não é um país perfeito, e ela tem interesses nessa parceria. Ela quer minério, soja, petróleo. Isso é verdade. Mas a diferença é que, pela primeira vez, um país rico está disposto a deixar coisas pra trás em troca desses recursos. Estradas, pontes, ferrovias, fábricas, energia limpa.

Os americanos nunca fizeram isso. Eles só queriam levar e ir embora.

Então me responde uma coisa, porque se a China é tão colonizadora assim, por que ela está construindo pontes que vão ficar aqui depois que ela for embora? Colônia não ganha presente de aniversário de quem a domina. Colônia só paga imposto e obedece. Nós estamos recebendo portos, fábricas e energia. Isso não é submissão. Isso é negócio. E, pela primeira vez, um negócio que não nos deixa só o prejuízo. E mais, a China não está sozinha nessa. Ela está conosco dentro do BRICS, um bloco que já está mostrando pro mundo que é possível fazer economia sem pisar no pescoço do outro. O BRICS tá crescendo, tá atraindo países novos, e tem potencial pra superar o G7 em poder de compra, em população, em recursos naturais.

É o futuro se desenhando na nossa frente.

Da próxima vez que alguém falar em "colônia chinesa", pergunta, cadê a ponte que os americanos deixaram? Cadê a fábrica? Cadê o trem? Pois é. Não tem. Os EUA só levaram. A China está deixando obra. E obra não mente. O BRICS está construindo um mundo novo. E o Brasil está no centro disso. Não vamos trocar esse lugar por medo.


Por Vânia Wolff - via facebook, 07 jun 26


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