Nas
redes sociais, verifico que há pessoas que preferem não se posicionar
politicamente, por vários motivos: apatia, desilusão, falta de interesse, medo
do confronto de ideias, ignorância, etc etc.
Entendo, mas não concordo. Acredito que devemos, sim, nos posicionar e questionar. Temos os meios a nosso alcance e podemos usá-los com respeito, comedimento e bom-senso, defendendo nossos pontos de vista. Por que não?
Nunca
foi tão oportuno e urgente falar sobre política e sobre a importância que nós,
seres políticos, temos com vistas a projetar a realidade que queremos para o
nosso País.
Sobretudo
neste contexto de acirramento de discussões, tanto à direita quanto à esquerda
do poder instituído.
A política rege a sociedade. Ela faz parte da natureza humana desde que o homo é sapiens.
Portanto, ninguém está imune ou fora dela. Fazemos escolhas o tempo todo e as
nossas decisões interferem de alguma forma nas decisões dos outros.
Que
prevaleça, então, o melhor argumento. É hora de discutir, sim. É hora de
confrontar ideologias: sem medo.
Eu,
particularmente, defendo a democracia, mas condeno aqueles que se aproveitam
dela em benefício próprio, para enriquecimento ilícito - pessoal ou de um grupo
qualquer. Neste aspecto, por mais que se critique o governo petista, não há
como negar que foi a partir da administração do Partido dos Trabalhadores que
as denúncias, antes engavetadas, contra políticos, empresas ou partidos
passaram a ser investigadas e os réus condenados. A ação deflagrada pela Polícia
Federal em março de 2014 é considerada a maior investigação de corrupção na
história do Brasil. Há que se reconhecer isso. Empresários que antes tinham
imunidade perante a Justiça estão sendo indiciados e condenados.
As denúncias
envolvendo a compra de votos de deputados, feitas ainda no Governo Lula, pelo
então deputado federal Roberto Jefferson (do PTB) e aceitas pela Procuradoria
Geral da República levaram a julgamento e à prisão políticos de todas as siglas
e tendências ideológicas - tanto petistas quanto de outros partidos, tais como PMDB, PTB,
PSDB e DEM. O processo conhecido como “Mensalão” indiciou 40 pessoas e prendeu
20.
Mas o
problema maior e que, no meu ponto de vista, impede o avanço das políticas de Governo, não
é tanto a questão da representatividade no Congresso – difusa e movida por
interesses partidários , mas a falta de vontade dos partidos que compõem a base
aliada, forjada por alianças espúrias e superficiais que se fazem às custas de
uma governabilidade forçada, que se coloca acima dos interesses dos cidadãos.
Apesar
dos entraves à aprovação de muitos projetos do executivo, houve avanços significativos
no âmbito das políticas sociais. Está
constatado que milhares de pessoas tiveram acesso aos bens de consumo, à
educação formal e ao mercado de trabalho. Comparativamente ao governo tucano, melhorou consideravelmente a qualidade de vida da população. Se vivemos hoje num
ambiente de recessão, com altas taxas de desemprego, inflação em alta, retração
da economia, diminuição do PIB, estes fatos não provêm exclusivamente dos
desacertos políticos internos. A crise econômica, como todos sabem, é global e
se estende pelos quatro cantos do mundo. Não é localizada e desarticulada do
resto do planeta, como alguns fazem crer.
À par
disso, e voltando aos dados que devem ser registrados em relação à operação
Lava-Jato:
- 140 prisões foram realizadas;
- 109 pessoas encontram-se presas neste momento;
- 28 pedidos de abertura de inquérito contra
deputados e senadores foram encaminhados ao STF. Além dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a lista traz outros 48 nomes;
- 31 políticos do PP, 7 do PMDB, 8 do PT, 1 do SD,
1 do PTB, 1 do PSDB, são alvo de inquérito na operação.
Para
se ter uma ideia do tamanho da corrupção no Brasil, basta acessar o relatório
que lista os partidos com maior número de membros cassados por corrupção desde
o ano 2000 (com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral). O DEM aparece no
topo, com 69 cassações. Disponível em:
Pergunto:
o que esses 3 milhões de brasileiros (segundo os dados não imparciais e nunca
oficiais) que foram às ruas no último dia 13 querem, além de demonstrar total rejeição
à democracia representativa?
Pedem
fora Dilma, fora Lula, fora PT. Pois bem. Querem, em suma, o golpe.
Certo. E o
Aécio, o Eduardo Cunha e o Renan, ficam e assumem o barco, mesmo com seus
nomes indiciados por atos de corrupção e lavagem de dinheiro? E o vice, Temer?
Assume a presidência depois da delação do Delcídio ou passa a bola para as mãos
dos militares que estão famintos de poder. Digam. A hora é agora!
Fico
com o Paulo Henrique Amorim: “Moro não é um juiz. É um golpista vulgar, de
segunda classe”. Além de desrespeitar a Constituição Brasileira, interceptando
ligações telefônicas da Presidência da República, ainda entrega sem o menor
senso ético em relação ao sigilo processual os áudios das gravações, de forma
deliberada e calculada. Para quê e para quem? Ora, evidentemente, para a Globo
News. O propósito, obviamente, foi o de “insuflar a população contra o governo”
e “provocar um clima de instabilidade”, diz o advogado Wadih Damous (Revista
Forum, de hoje), já que no despacho em que libera as gravações, o próprio juiz
Moro alega que “não há indícios” de que os interlocutores (Lula e Dilma) tenham
agido de forma “inapropriada”.
Assim,
além de total desrespeito ao Estado Democrático de Direito, a Polícia Federal
opta em afrontar os direitos e as garantias legalmente constituídas e em assumir
sua clara posição ideológica, ou seja, pró-impeachment.
Não é
possível assistir calada à tamanha arbitrariedade e aplaudir os que estão nas
ruas saudosos do tempo da ditadura. Não me coloco ao lado daqueles que tentam
impedir as liberdades democráticas e comprometer a legitimidade das
instituições brasileiras. Decididamente, não!
Quanto
à Globo, deixa pra lá. Não há sequer uma linha de suas matérias supostamente
jornalísticas que mereçam respeito e credibilidade. Essas, não passarão!
Por Lene Franck
Por Lene Franck

Lene, sensacional teu texto. A dúvida que está me perturbando e que não me faz ser mais ativa é: quem não tem o "rabo" preso para poder tocar esse país e levantar a nossa credibilidade?? Estados num mato sem cachorro!! Medo.
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ResponderExcluirExclui um dos comentários porque estava duplicado. Mas respondo a ele abaixo, minha querida irmã!
ExcluirÉ verdade. Quem não tem o rabo preso? Difícil dizer. Acredito que uma das razões da desilusão generalizada em relação à política hoje no Brasil seja o fato de a própria base aliada do governo (composta por partidos adversários e sem nenhuma afinidade ideológica) estar envolvida em todo o tipo de negociata, impedindo a governabilidade e a aprovação de medidas que seriam vitais para o país. A Presidente está amarrada a partidos que pedem cargos em troca de apoio. Há muito a se falar sobre isso. Valeu o teu comentário. Obrigadão e beijo!
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