domingo, 9 de abril de 2017

A nova cara da direita bem nascida

po Moisés Mendes



Duas faces da direita que vem aí, com projetos para 2018 e para mais adiante: a direita desbocada e fascista de Bolsonaro e a cheirosa, dissimulada, do bom mocismo de Luciano Huck. Que direita deve ser mais temida?
Bolsonaro pode ser jogado para fora da estrada com um empurrão. É um fanfarrão que a direita atiça para que faça o serviço sujo de bater nas esquerdas, nos negros, gays e índios.
Huck é o sujeito que o Ministério Público Federal (aquele que não caça apenas petistas) tenta enquadrar como destruidor da natureza, por ter se apropriado de uma ilha do Rio e degradado sua paisagem.
Já foi condenado e recorreu ao Superior Tribunal de Justiça. É provável que escape, como escapam quase sempre todos os que (desde que não sejam sem-terra) se adonam de espaços públicos e destroem praias e rios.
E Huck tem fama. Anda pelo mundo a apresentar-se como bom moço, pensando na possibilidade de um dia vir a ser candidato à presidência. Essa semana, foi aplaudido de pé por estudantes de Harvard e do MIT. Americanos? Não, brasileiros.
São os brasileiros pós-golpe. A nossa elite que vai estudar fora agora se sensibiliza com a conversa de um apresentador de TV. Ele é o exemplo de empreendedorismo. Mas no que Luciano Huck empreende? Na exploração comercial das misérias alheias?
Se os Estados Unidos tiveram o seu apresentador presidente, por que não podemos ter o nosso? Ainda mais um bem nascido. A receita de Huck é esta, nas palavras usadas por ele: ética e altruísmo.
É de se temer muito mais um Luciano Huck, como ameaça concreta, do que um Bolsonaro, apenas um instrumento a serviço de uma empreitada (e não só da direita extremada).
Bolsonaro é a direita de boca suja. Huck, que pode ser a terceira via tucana, é a direita benemerente, altruísta, que faz rifa com os sonhos dos pobres, desde que com bons patrocínios.
Alguém pode perguntar: mas antes do Huck não há o Dória? Talvez. Antes do Dória, quem existia era o Alckmin. Antes do Alckmin, o Aécio. Não há mais Alckmin, nem Aécio, nem Serra. É a vez da direita com berço.
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